O concurso da Polícia Federal 2025, realizado no último domingo (27), registrou queda significativa no número de inscritos, com apenas 218.821 candidaturas para mil vagas distribuídas entre os cargos de delegado, perito criminal, agente, escrivão e papiloscopista. O número representa uma redução de 35,6% em relação à seleção anterior, realizada em 2021, que teve 339.757 inscrições.
A baixa adesão reacende reivindicações das entidades que representam as categorias dos servidores da PF, principalmente daqueles que ocupam funções operacionais na linha de frente das investigações.
Segundo o Sindicato dos Policiais Federais no Estado de São Paulo (SINPF/SP), a queda no interesse se deve à concorrência com outros concursos públicos que oferecem salários mais altos e menor risco à integridade física dos profissionais.
“Hoje, outros cargos públicos que não enfrentam os mesmos riscos têm salários melhores, com formação equivalente”, explica a presidente do SINPF/SP, Susanna do Val.
De acordo com a sindicalista, a carreira policial perdeu atratividade nos últimos anos, especialmente após a reforma da Previdência de 2019. “A retirada da aposentadoria especial dos policiais e a limitação da pensão por morte — condições comuns em forças de segurança de países desenvolvidos — têm contribuído para o crescente desinteresse pela carreira. Colocar a própria vida em risco é parte inerente da profissão, mas, caso algo aconteça durante o serviço, as garantias oferecidas à família do policial são mínimas.”
Outro ponto apontado pelo sindicato é a ausência de um plano de carreira estruturado, o que, somado à defasagem salarial, afeta a motivação e segurança dos policiais federais. Susanna lembra que muitos dos quais são enviados para regiões remotas ou fronteiriças, impactando inclusive suas famílias.
As inscrições estiveram abertas entre 26 de maio e 13 de junho com a oferta de 1000 vagas.

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